quinta-feira, 16 de setembro de 2010

DENISE, UMA PESSOA ESPECIAL!

Parece mentira, mas você se foi, deixando um vazio e uma saudade muito grande para todos nós.
Tenho muito orgulho de lhe chamar de prima. Ambas somos descendentes de uma família a qual você não carregava, e eu não carrego o sobrenome, família Razera. Minha avó Maria, a qual eu citei na minha postagem anterior, era irmã da sua mãe Rosalina, mas nós temos a mesma idade, isto porque antigamente quando os pais tinham seus filhos mais novos, os filhos mais velhos já estavam gerando seus primeiros filhos. Assim eu sou mais velha, 8 meses, o suficiente para crescermos juntas.
Uma das primeiras recordações que tenho da minha infância é minha avó Maria consturando e eu colando nas gavetas da sua máquina duas figurinhas, uma era uma menina moreninha de cabelos curtos e com um olhar bastante tímido a outra uma menina loira de cabelos compridos e bastante extrovertida, eu dizia "Vó sou eu e a Denise!
Foi uma infância cheia de brincadeiras, eu me alegrava quando sabia que você iria chegar, para a gente brincar, mas ao mesmo tempo temia porque você era bastante "bagunceira" e depois que você ia embora, "sobrava pra mim, responder pela bagunça". Mas não tinha problema, sua alegria e nossas brincadeiras compensavam tudo!
Me recordo de quando acabamos com a horta da minha avó Maria para fazer comidinha para a boneca e quando brincávamos de tobogã escorregando num tapete na escada que ligava a casa da minha avó com a casa da minha tia, quando você prometia que não iria "bater foguinho" se eu aceitasse pular corda, mas batia e eu caia ou ainda quando almoçavámos no quintal da casa do Nôno em Tietê, isto porque a família era tão grande, que para as crianças só tinha lugar no quintal, sentados no chão!
O tempo passou e veio a adolescência, 1976, 1977 e nós queríamos ir passear. Passávamos o domingo todo nos produzindo para a noite, após a missa poder passear na praça. Me recordo das minhas tentativas em vão para tentar pintar suas unhas e deixá-las bonitas, era impossível você tinha o costume de roer unhas!!! Era muito bom e acima de tudo muito divertido nossos passeios!
A menina tímida perdeu a timides e a extrovertida se tornou responsável. Eu gostava de estudar e segui outros caminhos e você dizia... eu não gosto de estudar... essas coisas não entram na minha cabeça...! Ficamos um pouco mais distantes no nosso dia-a-dia, mas sempre juntas nos momentos de alegria quando havia festa na família, aniversários, casamentos e nas tristezas também, quando os mais velhos partiam!
Fui sua madrinha de casamento e naquele dia começei a namorar o Miguel definitivamente! Você também foi minha madrinha de casamento e nas fotos aparece grávida da sua segunda filha Karina.
Quatro dias antes da sua partida conversamos muito, você me contou os últimos acontecimentos, falamos sobre a vida, as alegrias e angústias, sobre nossos medos e projetos futuros. Sempre alegre e atenciosa com os mais velhos, você me ajudou a levar minha mãe até o carro. Foi o último sorriso!
Não pude acreditar no que ouvi pelo telefone no sábado 4 de setembro aproximadamente as 22h40, minhas pernas, mãos, braços amoleceram e no me coração se instalou uma dôr. Você tinha sido vítima da imprudência e da irresponsabilidade do ser humano, daquele que bebe e dirige e daqueles que não sinalizam corretamente a fim de evitar acidentes.
Agora não dá para voltar no tempo e mudar aquele instante fatal, resta apenas sua lembrança e a certeza de que você está num lugar muito lindo, como as rosas que dedico nesta mensagem. Pessoas como você, são poucas Denise e costumam partir cedo demais, mas quem somos nós para questionar a vontade de Deus!
Descance em paz!

sábado, 31 de julho de 2010

OS 90 ANOS DA MINHA AVÓ MARIA



Seu nome era Maria, Maria Luíza, mas para mim simplesmente minha avó. Uma senhora gordinha simpática, de pele branca rosada, ela era também a minha madrinha!
 Sua vida foi como a de muitas pessoas que viveram na sua época, filha de italianos legítimos, nasceu em Tietê em 25 de agosto de 1920, teve oito irmãos, estudou até o segundo ano do curso primário, o suficiente para aprender a ler, escrever e efetuar as quatro operações básicas. Casou-se com o meu avô Ademar, um mestiço filho de alemão com afrodescendente. Teve três filhas, minha mãe Terezinha, hoje com 68 anos, minha tia Guiomar que cometeu suicídio com 21 anos de idade e minha tia Aide, hoje com 64 anos.
 Segundo contam, meu avô Ademar, era um boêmio, que vivia a vida de forma um tanto irresponsável, o que lhe causou muitos aborrecimentos. Chegou a faltar até mesmo o que comer em sua casa, mas ela enfrentou tudo calada e sobreviveu adotando estratégias de planejamento as quais nenhum dos cursos de gestão que participei em toda a minha vida me ensinou.
 Recordo-me dos seus modos, da sua organização e principalmente do planejamento que fazia com a alimentação para nunca faltar, coisa que ela não precisava fazer mais quando convivi com ela, pois os tempos eram outros. Quando chegava a compra do mês, entregue pela cooperativa da usina, ela contava quantas canequinhas de arroz havia e as dividia pelo número de dias que faltavam para chegar a próxima compra. O pacote de banha era dividido em trinta partes, assim como todo restante da compra. Segundo ela nós deveríamos aprender a viver com o que tínhamos e não nos endividar!
 Com roupas de adultos que não servia mais, ou que haviam desgastado em alguma parte, ela costurava roupinhas para seus netos. Fazia vestidinhos lindos para mim e nunca deixava de fazer para minha prima Denise.
 Eu ficava o tempo todo com ela. Minha mãe não tinha muito tempo para mim, porque meu irmão Ademar, três anos mais novo do que eu era muito doente e merecia toda a sua atenção. Com ela aprendi a importância da bondade, do caráter, de fazer as coisas certas. Com ela aprendi a ser quem eu sou.
 Nossa convivência foi curta, apenas onze anos, mas nas minhas lembranças apenas três ou quatro anos. Ela foi para junto de Deus muito cedo, trazendo a primeira grande dor da minha vida, mas o seu legado deixou marcas profundas na minha personalidade. Dela eu herdei muita coisa, meu jeito de ser, a forma de conduzir minhas atividades domésticas, aprendi a tricotar, crochetar, organizar as coisas e principalmente planejar!
 Num dia desses, percebi que até a maquiagem que uso é a mesma que ela usava: pó de arroz, brush e batom e nada mais! Sobrancelhas e olhos naturais, sem nenhuma maquiagem. O modo discreto de se vestir, sem nunca chamar a atenção é outra coisa comum entre nós duas.
 Faltavam três dias para ela completar cinquenta e quatro anos quando sua vida se findou. Chorei e sofri demais, foi muito difícil para mim aquele agosto de 1974, quando o sino da igreja matriz tocou as duas da tarde e ela foi levada de volta para Tietê, para sempre!
 Hoje, se ela estivesse viva estaríamos em festa, pois dona Maria estaria completando noventa anos de idade! Gostaria de poder conversar com ela, falar de mim, da vida, enfim, dizer, te amo e sempre te amarei!
 Fica uma lição: não importa que sua vida seja simples, não importa o fato de você já ter partido há muitos anos, o que importa é o legado que você deixa para aqueles que conviveram com você!!!!
 Vó.... Te amo!!!!!


quarta-feira, 21 de julho de 2010

INSUBSTITUÍVEL


Insubstituível
Esta mensagem é para uma pessoal insubstituível. Eu a admiro muito pelo seu talento profissional e em homenagem a ela resolvi postar em meu blog. Trabalhamos quatro, ou seja cinco anos juntas e tenho muitas saudades. Por uma série de motivos não vou citar seu nome!
Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível" .
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.
Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça.
Ninguém ousa falar nada.
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim.
-E Beethoven ?
- Como? - o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio.....
O funcionário fala então:
- Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso.
Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? etc...
Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis. Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa.
Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus 'erros/ deficiências' .
Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo , se Picasso era instável , Caymmi preguiçoso , Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico ... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.
Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.
Se seu gerente/coordenador , ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/ técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.
Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças.
Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:... . Ninguém ... pois nosso Zaca é insubstituível" Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza ninguém te substituirá!
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."
"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é..., e outras..., que vão te odiar pelo mesmo motivo..., acostume-se a isso..., com muita paz de espírito. ..".
É bom para refletir e se valorizar!

sábado, 12 de junho de 2010

QUARENTA ANOS DE COPA DO MUNDO



TODA COPA DO MUNDO É UM EVENTO MARCANTE PARA TODOS NÓS BRASILEIROS E VEM ACOMPANHADA DE MUITAS RECORDAÇÕES DE OUTRAS COPAS!
MINHAS PRIMEIRAS LEMBRANÇAS ME LEVAM ATÉ 1970: "....TODOS JUNTOS VAMOS, PRÁ FRENTE BRASIL, SALVE A SELEÇÃO....", EU AINDA NÃO TINHA SETE ANOS DE IDADE. SAÍMOS DA CASA DOS MEUS AVÓS APÓS VER A PARTIDA NUMA TV PRETO E BRANCO, NA MINHA CASA NÃO TINHA TELEVISÃO. ERA O TRICAMPEONATO DO BRASIL. NO CAMINHO PARA MINHA CASA, ACOMPANHADA DOS MEUS PAIS E MEU IRMÃO, ENCONTRAMOS ALGUNS RAPAZES DE CALÇA COLORIDA, CABELOS LOGOS E CAMISA ESTAMPADA. MEU PAI ADMIRADO DISSE: _"ESTÁ TODO MUNDO LOUCO, ONDE JÁ SE VIU UM HOMEM VESTIDO ASSIM", MINHA MÃE IMEDIATAMENTE RESPONDEU: _"VOCÊ NÃO ESTÁ VENDO QUE É COMEMORAÇÃO". NA VERDADE NÃO SE TRATAVA DE COMEMORAÇÃO, ERA O INÍCIO DOS ANOS 70, QUE COMO SABEMOS TROUXE MUITAS MUDANÇAS.
EM 1974, HAVIA UMA MUSIQUINHA: "... TODO MUNDO DE BANDEIRA NA MÃO, ESPERANDO O BRASIL SER TETRACAMPEÃO.." QUE LOGO, APÓS A DECEPÇÃO, NÓS CRIANÇAS COMEÇAMOS A CANTAR ASSIM: "...TODO MUNDO COM UM "PORRETE" NA MÃO, ESPERANDO O ZAGALO, DESCER DO AVIÃO...". O "PORRETE" ERA UM PEDAÇO DE MADEIRA GROSSA E PESADA QUE PODERIA SER USADA PARA DAR UMAS "PAULADAS" EM ALGUÉM.
NÃO ME LEMBRO SE FOI EM 1978, 1982 OU 1986 QUE ENQUANTO EU E MEU IRMÃO CHORÁVAMOS, MINHA MÃE DIZIA: "... QUE BOM QUE A ITÁLIA GANHOU, ERA A TERRA DO MEU NONO...". NÓS DOIS INDIGNADOS DISSEMOS A ELA: _ENTÃO MUDE PARA LÁ! FOI UMA SÉRIE DE DECEPÇÕES, JÁ NÃO ACREDITÁVAMOS MAIS NA SELEÇÃO BRASILEIRA
NÃO GOSTO DAS LEMBRANÇAS DE 1990. FINAL DA COPA, ALEMANHA E ITÁLIA E NÓS ESTÁVAMOS INDO PARA JUNDIAÍ INTERNAR MEU PAI QUE ESTAVA COM PROBLEMAS DE SAÚDE. QUATRO MESES DEPOIS ELE SE FOI!
ENFIM CHEGOU 1994. O BRASIL COMEÇOU BEM, GANHANDO TODAS. ME LEMBRO DA EMPOLGAÇÃO, DO GOL DO BRANCO CONTRA A HOLANDA E DOS GESTOS DA SELEÇÃO. ENTRAR EM CAMPO DE MÃOS DADAS SE TORNOU UM RITUAL NOS ESTADOS UNIDOS. ENFIM CHEGOU O GRANDE DIA. ATÉ A MISSA FOI CANCELADA. UM JOGO DURO, SEM GOLS CONTRA A ITÁLIA. FINAL EM PENALTS. NÃO AGUENTEI! SAI ANDAR PELA CALÇADA DESERTA DA RUA DA MINHA CASA E DISSE QUE SÓ VOLTARIA QUANDO TUDO ESTIVESSE TERMINADO! PEDI PARA MIGUEL GRAVAR PARA MIM NO VÍDEO CASSETE A COBRANÇA DOS PENALTS QUE DEPOIS EU IRIA ASSISTIR, MAS NAQUELE MOMENTO NÃO! PASSADO ALGUM TEMPO OUVI DA CALÇADA UMA FORTE COMEMORAÇÃO E MUITOS FOGOS. O BRASIL PRECISAVA, TÍNHAMOS PERDIDO AIRTON SENNA HÁ DOIS MESES. FOI ASSIM A GRANDE FESTA, DEPOIS DE VINTE E QUATRO ANOS, SÓ NÃO GOSTEI DA PALAVRA QUE DUNGA DISSE AO LEVANTAR A TAÇA!
QUANDO LEMBRO DE 1998, ME PERGUNTO ATÉ HOJE: "...O QUE ACONTECEU COM RONALDO?...." UMA CONFUSÃO ANTES DO JOGO, O NOME DELE NÃO ESTAVA NA ESCALAÇÃO, DEPOIS SURGIU... ELE ENTROU EM CAMPO MEIO DOPADO! PERDEMOS O FINAL DA COPA PARA A FRANÇA!
DOIS MIL E DOIS FOI O ANO DA ENERGIA POSITIVA. PARECIA QUE TUDO ESTAVA DANDO CERTO, O BRASIL VENCIA TODAS. E VENCEU! UM HORÁRIO MEIO ESTRANHO PARA A FINAL, NOVE DA MANHÃ, MAS QUE IMPORTA! FOMOS PENTA! UMA GRANDE COMEMORAÇÃO PAROU O TRANSITO DA CIDADE. A FESTA FOI LONGA E RONALDO SE REDIMIU DE 1998. CAFÚ LEVANTOU A TAÇA COM UMA CHUVA DE PAPÉIS PRATEADOS! EU ESTAVA NA CASA DA MINHA MÃE, TINHA IDO BUSCÁ-LA PARA ALMOÇAR EM CASA!
NUNCA TORCI TANTO PARA O BRASIL VENCER UM JOGO COMO O BRASIL X FRANÇA EM 2006. NÓS ESTÁVAMOS COM UM PROJETO CHAMADO COPA DA CIDADANIA. SEU INÍCIO SERIA NA SEGUNDA-FEIRA APÓS O JOGO QUE FOI NUM SÁBADO. MAS O BRASIL PERDEU! COMO EXPLICAR PARA AS CRIANÇAS DAS QUATRO ESCOLAS QUE FARÍAMOS AS ABERTURAS DA COPA? ONDE ENCONTRAR EMPOLGAÇÃO? A SURPRESA FOI QUE A CRIANÇADA AGIU COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO, PARA NOSSA SURPRESA!
CHEGAMOS EM 2010, QUARENTA ANOS DEPOIS DA MINHA PRIMEIRA LEMBRANÇA DE COPA DO MUNDO. MUITOS DIZEM SE TRATAR DE UMA BESTEIRA, QUE É UMA VERGONHA O BRASIL PARAR SÓ PORQUE VAI ACONTECER UM JOGO! EU TAMBÉM JÁ CHEGUEI A PENSAR ASSIM, MAS HOJE RECONHEÇO QUE O FUTEBOL É A NOSSA MAIOR TRADIÇÃO. É QUANDO A NAÇÃO SE VESTE DE VERDE E AMARELO E TORCE PELO SEU PAÍS! É A NOSSA CULTURA!
PORTANTO VAMOS CURTIR O MOMENTO, NOS DESCONTRAIR E TORCER TAMBÉM PELO NOSSO PÁIS. FUTEBOL É A ALEGRIA DO NOSSO POVO!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

"As delícias do Ostracismo"


Uff! A sexta-feira foi pesada. Acabei de sair da reunião da comissão que está preparando o novo Plano de Carreira e Estatuto do Magistério, da qual eu faço parte.

É uma chance ímpar, um projeto deixado pelo Miguel, onde representantes do magistério estão opinando e dando sugestões para a formulação do novo projeto de lei que substituirá o anterior, dando novas perspectivas aos ocupantes do quadro do Magistério Público Municipal.

As discussões estão sendo intensas. Em alguns casos a comissão é 100% a favor ou contra e em outros geram algumas polêmicas. Mas, no geral, as discussões estão sendo saudáveis.

Apesar do cansado, a sensação que sinto é de paz e tranquilidade, e sabem qual o motivo? Por não ter mais nenhum poder! A cada polêmica que surge, eu apenas exponho a minha opinião, mas eu não posso fazer nada para mudar as coisas. Assim, me sinto em paz por saber que não vou magoar ninguém.

Isso é tão bom, me sinto como na figura acima! Após mais de cinco anos de intensas atividades, hoje, trabalho, mas o que faço é "fichinha": dirigir uma escola de trezentos alunos e dar dez aulinhas por semana no ensino médio de conteúdos que domino de olhos fechados, é simples demais, para quem já teve tantas preocupações. São essas as Delícias do Ostracismo, é quase como um eterno final de semana!

Estou insistindo bastante com o Miguel para ele não se envolver mais em política. Fico zangada quando ele vai assistir sessão de câmara, ou sai para algum compromisso político, gostaria que ele ficasse em casa comigo, aproveitando o inverno! Ele já se decepcionou tanto, que eu não gostaria que ele passasse pelo o que ele passou novamente, principalmente agora que ele está bem, ou seja, muito bem, como nunca esteve antes!

Mas as coisas não são assim, cada um é um, e mesmo ele sendo meu marido, não posso "mandar na vida dele", posso apenas aconselhar. O poder é complicado, jamais você conseguirá agradar a todos. A população muitas vezes desconhece as amarras da gestão pública e culpa os responsáveis por não ter concretizado um anseio seu. Não estou justificando aqui nenhuma má gestão. Existe muito o que fazer e muita coisa é possível com trabalho honesto, dedicação e inteligência.

Existem pessoas que assumem o poder e não se sentem responsáveis pelos "outros", ou popularmente dizendo "levam na barriga". Tem aqueles que tentam tirar proveito próprio, o que é pior ainda e aqueles que querem apenas "um holofote voltado para si". Mas também existem aqueles que se dedicam em tempo integral, esquecendo suas próprias vidas e sentindo plenamente responsáveis pelos "outros", nós dois, eu e o Miguel, somos assim! Sofriamos muito cada vez que não era possível atender aos anseios de uma pessoa.

Sempre que nos foi atribuindo uma função, seja na igreja, no trabalho ou no serviço comunitário, procuramos fazer tudo buscando a máxima perfeição e dando tudo de nós para que os projetos se concretizassem. Conseguimos, sempre conseguimos, mas com muito suor e muito trabalho, o que custava o nosso lazer, o convívio com a família, entre outros.

Valeu a pena? Sim, claro que sim. Também não dá para passar pela vida sem deixar o nome na história! Mas agora já fizemos a nossa parte. Daqui para frente é viver as DELÍCIAS DO OSTRACISMO.